De quantos empurrões você precisa para continuar?

No post anterior do blog escrevi sobre os benefícios e prejuízos potenciais dos elogios. Agora cabe uma rápida reflexão complementar. Será que você é um dependente das validações externas? Será que desiste de uma tarefa caso não seja constantemente parabenizado?

Considerado o pai da psicologia comportamental, Burrhus Skinner tentou desvendar o comportamento humano sob a luz da ciência. Segundo suas teorias, somos movidos basicamente por reforços positivos e negativos que recebemos durante ou após as nossas ações.

skinner

Muitas críticas são direcionadas aos posicionamentos de Skinner, porém é incontestável o poder dos feedbacks na manutenção ou perda de um determinado comportamento.

Reforço (ou feedback) é a resposta que ocorre durante ou imediatamente após uma determinada ação. Um dos exemplos mais clássicos está no uso de drogas. Você há de convir que na primeira vez em que experimentamos cerveja, o sabor não é nada agradável (ah sim, o álcool é droga)! Entretanto, a sensação percebida a seguir (a embriaguez) tende a reforçar o comportamento de beber.

Este mecanismo biológico também opera nas mínimas ações do dia a dia. Experimente mudar o bolso em que você guarda sua caneta. À medida que buscá-la no local anterior e não obtiver o reforço (encontrar a caneta), este comportamento tende a se extinguir. Por outro lado, achá-la no novo bolso fará com que suas ações automáticas se coordenem diretamente para este lugar.

Obs.: este post não se presta a esmiuçar a psicologia comportamental. Pesquise para entender a diferença entre reforços positivos e negativos ou assuntos afins.

Ok, mas para quê tanta teoria? Apenas para entendermos de que forma nasce um hábito – ou um vício. E eu não estou me referindo apenas às drogas aqui. Podemos nos tornar dependentes de comida, atenção, compras, remédios, livros, seriados de tv, etc e… ELOGIOS.

O ser humano tem uma verdadeira necessidade de aceitação social. Algo inato, levando em consideração que vivemos em comunidade. Isto explicaria a compulsão que algumas pessoas têm em checar constantemente as redes sociais. É quase irresistível conferir quantas curtidas, comentários e novos seguidores apareceram.

rede social

O grande problema surge quando estas dependências de feedbacks ultrapassam o campo social e interferem diretamente na produtividade de estudo e/ou trabalho. Ao executarmos uma tarefa curta como um simples relatório, é comum recebermos reforços (tapinha nas costas, parabéns, elogios, dinheiro).

Entretanto, tarefas estendidas podem nos deixar longos períodos sem qualquer feedback. Isto pode explicar porque tantos projetos são abandonados – sobretudo os solitários – ainda que o prêmio final seja muito maior do que a soma de todos os pequenos reforços do dia a dia.

Imagine como seria se Thomas Edison, um dos maiores inventores da história da humanidade, tivesse desistido de criar a lâmpada elétrica. E dizem que ele fez mais de 10 mil tentativas!! Tudo isso sem feedbacks positivos e até mesmo com muito desencorajamento de pessoas próximas.

Estou convencido de que esta característica diferencia os verdadeiros empreendedores dos demais. A capacidade de seguir frente mesmo sem os parabéns, os tapinhas nas costas, os elogios ou até mesmo o dinheiro. Alguns chamam isso de resiliência. Eu chamo de fé! A crença irrevogável de que se está no caminho certo, mesmo que toda a sociedade diga o oposto.

Por fim, um adendo. Empregos considerados estáveis, sobretudo com carteira assinada, proporcionam uma série de reforços no dia a dia do empregado. E é exatamente esta situação um tanto quanto confortável do empregado em relação ao empregador que os diferencia.

Agora, caso tenha se identificado com a turma que desiste antes da hora, tenho uma boa notícia para você. Esta é mais uma das habilidades que pode ser aprimorada. Se tornar livre da dependência dos feedbacks exige, em primeira mão, que você tenha consciência disso. O próximo passo é um pouco de treino diário. É preciso se habituar a assumir responsabilidade por tarefas.

No post 6 passos para tirar uma ideia do papel você encontrará um guia simples e prático para transformar ideias em realizações.

Um forte abraço e até a próxima.

Elogios: saiba como usar e como se defender deles

Caro leitor, eu provavelmente não o conheço, mas levando em consideração que está lendo este artigo na busca de novos conhecimentos, posso assegurar que você é uma das raras pessoas que buscam evoluir voluntariamente. Você está de parabéns e pode sentir-se orgulho por isso!

E então? Sente-se mais entusiasmado para continuar a leitura? Creio que sim. O elogio – um feedback positivo – é uma das ferramentas mais poderosas das relações interpessoais. Não surpreende que seja tão massivamente utilizado nos meios corporativos e fora deles. Vamos descobrir como usá-los e como nos proteger deles.

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A base teórica que coloca os elogios como “presentes” é o chamado Princípio da Reciprocidade. Segundo este, quando recebemos qualquer tipo de favorecimento (mesmo não solicitado), automaticamente nos sentimos compelidos a retribuí-lo. Somos animais sociais e a troca é a base dos relacionamentos.

Como fazer um elogio perfeito? No célebre livro Como Fazer Amigo Amigos e Influenciar Pessoas o professor Carnegie dedica o 2º capítulo à orientação do que chama de apreciações. Elas devem ser honestas e sinceras SEMPRE. Se quiser marcar para sempre a vida de alguém com um simples elogio, individualize-lo. Percebe algo com que esta pessoa realmente se importe e toque no ponto certo.

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Entretanto, preciso alertá-lo de um perigo que envolve os elogios. Eles podem ser usados de maneira inescrupulosa para obter algo em troca. É o esporte favorito dos bajuladores. São mais facilmente encontrados em meios políticos, mas se você observar bem, vai identificar alguns deles no seu dia a dia. Fornecendo “simpatia” os bajuladores são recompensados com favores, cargos e até mesmo sexo!

Agora quero propor a você que olhe para dentro. Quanto um elogio é capaz de mudar o seu comportamento? Seja honesto! Algumas pessoas são especialmente vulneráveis às apreciações, o que as deixa em posição de risco frente aos aproveitadores. Buscar o autoconhecimento aumenta a confiança em nós mesmos, blindando-nos contra esta situação.

Para finalizar vou propor um exercício simples. Durante 10 dias faça pelo menos 1 elogio honesto e sincero para qualquer pessoa. Três coisas mágicas vão acontecer:

  1. você vai melhorar o dia de alguém;
  2. ao observar melhor as pessoas, você estará se tornando mais humano – uma característica tão importante e tão fora de moda; e
  3. claro, as pessoas irão gostar mais de você!

Até logo.

A dica sobre dinheiro mais importante que já vi

Você acredita que alguém pode viver com apenas 1 salário mínimo por mês? Que tal 5 mil reais? Você acredita que todas as pessoas que ganham acima de 10 mil reais estão livres das dívidas? Vamos discutir brevemente alguns conceitos importantes sobre o dinheiro. Em seguida vou revelar uma dica simples que pode mudar para sempre o rumo da sua vida financeira.

Fiz uma pesquisa recentemente com meus pacientes para conhecê-los melhor e me deparei com uma situação com a qual fiquei um tanto constrangido: uma família inteira  vivia com apenas 1 salário mínimo por mês – com toda dignidade. E não foi só uma vez que vi isto acontecer.

Uma ideia equivocada que paira na sociedade é a de que se ganhássemos um salário maior, nossa vida financeira estaria em ordem. A verdade é que não se trata do valor absoluto que você recebe, e sim da maneira como lida com a sua receita mensal.

Prova disso é a proporção assustadora de famílias endividadas no país em janeiro de 2018 segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC): 60,8%. Neste número expressivo temos representantes de TODAS as classes sociais. E um detalhe: quanto maior sua receita mensal, maiores tendem a ser suas dívidas.

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A sacada de hoje não é da minha autoria. Está contida em livros de educação financeira altamente recomendados como O Homem Mais Rico da Babilônia e Os Segredos da Mente Milionária. Falo apenas com alguma propriedade de quem a colocou em prática e observou seus efeitos impressionantes.

É muito simples! A partir de hoje guarde 1 de cada 10 reais que chegam até você. Ou seja, 10% da sua receita mensal deve ir para um fundo de reserva específico. E não importa se sua receita variar de um mês para outro. A proporção é fixa!

Com o tempo, essa reserva irá crescer como algo que você planta e rega com frequência. E após alguns meses, mesmo que o valor absoluto não seja grande, você terá orgulho de si mesmo.

pé

Ok, e o que eu devo fazer com este montante? Guardar para sempre? Não!! Você irá usá-lo de forma inteligente. Este é um dinheiro totalmente destinado a INVESTIMENTOS.

Obs.: o propósito deste post não é tratar dos tipos de investimentos disponíveis no mercado, mas apenas para exemplificar, você pode investir no Tesouro Direto, Fundos de Investimento Imobiliário, Caderneta de Poupança, Forex, Bolsa de Valores e até mesmo num negócio próprio ou de alguém em quem confie.

Atenção: JAMAIS use este dinheiro para comprar bens de consumo. Este é o pecado capital que colocará a perder todo o esforço realizado!

Se você já fez as contas, possível que neste momento esteja se contorcendo na cadeira, inconformado com as limitações que irá sofrer ao separar essa fatia da sua renda mensal. Pois bem, a mágica desta ação é que você perceberá que seu padrão de vida não irá mudar. Como? Simples, seu comprometimento em poupar o levará naturalmente a uma seleção mais refinada dos seus gastos, retirando as verdadeiras ervas daninhas das nossas despesas: o supérfluo!

Mas e se eu já me encontro endividado? Não importa! O motivo pelo qual você irá reservar 10% dos seus ganhos é tão nobre que compensará. Além do controle mais disciplinado dos seus gastos (que permitirá a amortização das dívidas), à medida que seus investimentos gerarem retornos você terá cada vez mais tranquilidade financeira (riqueza). E estes ganhos têm aumento exponencial!!

E se você é um microempreendedor ou pretende ser, saiba que esta dica se encaixa perfeitamente nos negócios. Guardando 10% dos lucros para reinvestimentos, você garantirá a evolução constante da sua empresa que irá valer cada vez mais. Este dinheiro deve ser destinado a inovações e melhorias. Lembrando que este valor não serve para cobrir custos operacionais, depreciação e outros gastos inevitáveis do negócio.

Obs.: não espero que você consiga aplicar essa filosofia na primeira tentativa (eu não consegui). Mas no mínimo irá se familiarizar com ela.

Quem gasta todo dinheiro que recebe, paga a todos menos à pessoa mais importante: a si mesmo! E, se ainda não estiver, logo estará endividado. Salvar 10% do que ganha com fins de crescimento é um passo importantíssimo para você atingir a tranquilidade financeira que todos sonham.

Boa sorte!

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O pecado de misturar Planejamento com Execução

Alberto tomou café da manhã e saiu de casa para resolver os compromissos do dia. Ainda na garagem se deu conta de que esqueceu a solicitação do exame a ser realizado. Voltou e apanhou. Foi direto para a clínica onde foi informado que o exame só poderia ser feito em jejum. Remarcou. Saiu para visitar um cliente e, ao checar o endereço, se deu conta de que sua reunião ficava no trajeto entre sua casa e a clínica. Retrocedeu. Os eventos se seguiram até Alberto chegar em casa ao fim do dia com várias pendências por resolver, cansado e estressado. Parece familiar?

Planejar e executar ao mesmo tempo aumenta significativamente as nossas chances de erro. Ainda assim muitas pessoas recusam-se a planejar sob o pretexto de “economizar tempo”. A consequência é uma perda muito maior, não só de tempo como de energia e até mesmo de dinheiro.

Na sacada de hoje vamos aprender a facilitar nosso dia a dia, aplicando a estrutura básica de uma empresa em nossa vida pessoal. Primeiro vamos entender as 3 funções primordiais dentro de qualquer corporação. Para facilitar o entendimento vou usar como exemplos um time de futebol e as forças armadas (que também são formas de organização):

1- Institucional ou estratégico. Onde são definidos os direcionamentos mais amplos (diretor ou presidente). É a posição ocupada pelo treinador do time e pelo comandante da tropa.

2- Tático ou intermediário. Onde começa a execução com a planificação das decisões (gerentes). Aqui temos o capitão do time e os oficiais do pelotão.

3- Operacional ou técnico. Concluem a execução bem como a sua supervisão (operários, vendedores, etc). São os jogadores e os soldados.

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Se você é um microempreendedor individual, exerce essas 3 funções diariamente, mesmo sem saber disso. É importante que identifique em quais momentos assume cada uma delas e SEPARE-AS. Entenda que pensar também é uma atividade – das mais nobres – e merece o seu momento exclusivo, sem interrupções. Se tentar bolar estratégias enquanto produz ou vende, é provável que nenhuma dessas tarefas seja bem executada.

Para exercitar essa competência e evitar cair no erro do nosso amigo Alberto vou propor algo simples que vai melhorar sua vida em diversos aspectos. Investindo 10 minutos do seu dia, você economizará seu tempo e sua saúde.

A primeira tarefa do dia deve ser o planejamento diário (se preferir, você pode fazê-lo imediatamente antes de dormir). Em posse da sua agenda + caneta e papel, defina:

1- As tarefas do dia e o que você precisa para realizar cada uma delas;

2- A ordem de prioridade;

3- O trajeto a ser realizado; e

4- Agora sim, execute!

Em breve você irá conseguir gerenciar o seu tempo como poucos. Os compromissos do seu dia – e da sua empresa – irão fluir como água.

Até logo.

Como a fartura atrapalha sua vida

Você é do tipo que compra várias unidades do mesmo item quando vai ao supermercado para não ter que se preocupar em comprá-lo tão cedo? Então é bem provável que você frequentemente se depare com a falta de algum produto essencial e necessite comprá-lo numa loja de conveniências. Esse comportamento tem 3 prejuízos importantes:

1- As lojas de conveniências costumam cobrar mais caro;

2- Desgaste de tempo e energia para obter algo que era imprescindível para o momento; e

3- Muitos produtos em estoque significam seu dinheiro parado, sem produzir.

Pode parecer bobagem, mas esse traço de comportamento refletirá na cultura e hábitos da sua empresa. Vamos então descobrir de que forma podemos exercitar no nosso dia a dia as boas práticas de estocagem.

A sacada de hoje é a adaptação de uma das técnicas mais famosas da Toyota para a nossa vida cotidiana: o “just in time” ou produção enxuta. Já ouviu falar? Ela foi criada num contexto delicadíssimo de pós-guerra em que o Japão se viu sem dinheiro para produzir e, ao mesmo tempo, necessitando aumentar a produtividade e qualidade para ser competitivo.

just in time

A ideia é produzir somente o necessário (de acordo com as demandas) evitando estoques excessivos, inclusive entre as etapas de produção. O que permite isso é um gerenciamento eficiente que sabe em tempo real a quantidade de cada item classificando-o em “máximo”, “de segurança” e “mínimo”.

Vamos aos 4 passos simples para você aplicar esta filosofia revolucionária em sua vida e, consequentemente, em sua empresa:

1- Elabore um checklist com os produtos habituais de consumo da sua casa;

2- Determine uma quantidade mínima de cada um – é provável que este número mude à medida que você entenda em quanto tempo cada item é consumido;

3- Crie uma rotina de idas ao supermercado (semanal, mensal, etc); e

4- Cheque os itens na véspera e determine quantos deverá comprar de cada um.

Uma pesquisa recente do Instituto Akatu revelou que o brasileiro desperdiça quase 30 reais de cada 100 em compras de alimentos. A fartura nos deixa preguiçosos e mal-acostumados. Sem contar nas perdas de produtos perecíveis. Adote a filosofia da “empresa enxuta” evitando desperdícios e estimulando o movimento constante.

Um abraço.

[Meditação] 7 dicas para você começar hoje mesmo

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Há milênios as práticas meditativas são parte do cotidiano de muitas comunidades orientais, fazendo parte inclusive da rotina das crianças. Entretanto, somente em meados do século XX a meditação chegou de maneira mais expressiva neste lado do mundo. A mística, o preconceito e a ignorância acerca desta poderosa atividade traduzem sua “imaturidade” em nosso meio.

O objetivo deste artigo é esclarecer alguns pontos fundamentais, introduzindo conceitos para que você inicie hoje mesmo a prática meditativa e desfrute dos seus inúmeros benefícios.

A meditação que pratico me foi ensinada durante a minha convivência com o Zen Budismo e chama-se zazen (significa meditação sentada), cujos 3 pilares são: a concentração, a imobilidade e a postura adequada. Hoje vamos nos ater ao primeiro deles.

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Como você avaliaria a sua capacidade de concentrar-se em uma determinada atividade? E se eu disser que essa capacidade pode ser ampliada com um pequeno treino diário? Exatamente! A concentração é uma habilidade como outra qualquer e, portanto, pode ser aprimorada desde que você despenda um pouco do seu tempo e energia para tanto.

Mas por que alguém iria querer melhorar a concentração? Vamos lá, vou lhe dar alguns bons motivos:

  • Excelência no trabalho: quando você executa uma atividade em estado de atenção plena, novas sinapses cerebrais – as conexões entre neurônios – são formadas. Desta forma, o trabalho torna-se um treino de aprimoramento constante. Quando repetir o mesmo ofício, já o fará de forma mais eficiente… e esta melhora não tem limite! Já viu aqueles “japinhas” cortando legumes numa velocidade incrível? Pois é…
  • Melhora das compulsões: concentrar-se em algo também garante que você não ficará pensando naquela torta de aipim com doce leite na geladeira, fazendo um esforço sobre-humano para não levantar e pegar outro pedaço. E também funciona com qualquer outro tipo de compulsão como televisão, autoimagem, higiene, etc.
  • Menor incidência de erros: a atenção na atividade evitará que as coisas fujam do seu controle. Imagine o quão desagradável é fechar o caixa e perceber que tem dinheiro a menos com frequência. Ou “decolar” com seu carro ao passar por um quebra-molas que você não percebeu que existia…
  • Menos ansiedade e estresse emocional: estando absorto em uma única tarefa, os pensamentos divagantes e inoportuno não terão vez. Não esqueça que ansiedade é a tentativa – frustrada – de estar em 2 lugares ao mesmo tempo. Como? Você naquela reunião pensando em como resolverá o problema da máquina de lavar com defeito. Ou na academia lembrando daquele cliente chato do dia anterior.

Dos 3 pilares da meditação citados acima, a concentração é o único presente em TODAS as técnicas. Ela se dá através da atenção plena que deve ser necessariamente em foco único. Este foco pode ser a sua respiração, os movimentos do seu corpo, uma música ou até mesmo a sua imaginação – guiada por você mesmo ou por outra pessoa.

Sem perceber entramos em pequenos estados meditativos todos os dias. Basta que você mantenha sua concentração em algo por alguns segundos (pode ser uma leitura, um jogo de futebol ou a voz de alguém ao telefone). A grande questão é que estamos perdendo nossa capacidade de sustentar a atenção frente a tantos estímulos, sobretudo tecnológicos.

Segundo um estudo da Microsoft, o tempo médio de concentração em uma mesma atividade caiu de 12 segundos no ano de 2000 para 8 segundos em 2013. O que quer dizer que nossa concentração média está menor que a de um peixe dourado que consegue manter atenção por até 9 segundos!

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Os estados meditativos mais profundos – os que favorecem nossa vida em inúmeros aspectos – dependem da capacidade de concentração mantida. A boa notícia é que você pode aumentar gradativamente o seu tempo de atenção ininterrupto sem grandes esforços.

Vamos a algumas dicas práticas:

  1. Busque um local tranquilo. Pode ser em sua casa, entretanto, evite ruídos que possam atrair a sua atenção – se possível, repita o mesmo lugar todos os dias;
  2. Afaste-se do celular. Ou coloque-o no modo avião se precisar marcar tempo, de maneira que não interrompa;
  3. Use roupas leves. Evite elásticos apertados ou mesmo acessórios que dificultem a circulação;
  4. Sente-se confortavelmente. Apoie no encosto da cadeira mas evite deitar-se para não correr o risco de dormir;
  5. Inicie com pequenos treinos. Minha sugestão é que você comece com 5 minutos por dia. Aumente de 3 a 5 minutos por semana até estabilizar entre 20 e 30 minutos diários;
  6. Escolha algo para prestar atenção. Não esqueça que o foco deve ser ÚNICO. Pode ser a sua respiração (você pode contá-la), um mantra, a chama de uma vela, etc; e
  7. Mantenha o mesmo horário do dia. A sugestão é que seja a primeira ação do dia, logo após lavar o rosto e esvaziar a bexiga. Além de facilitar na disciplina, neste momento sua mente está mais quieta.

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Quando começar a praticar, você perceberá que o assédio dos pensamentos divagantes é constante. Isso é normal. Não se aborreça e nem se intimide. Sempre que identificar um pensamento qualquer, deixe-o ir e retome a concentração de onde parou. A melhora é quase imperceptível mas inevitável.

Se achar muito difícil, você pode iniciar com meditação guiada. Trata-se de uma técnica em que a sua imaginação é conduzida por comandos de voz de outra pessoa provocando um profundo estado de relaxamento. Sugiro este vídeo Dra Sofia Bauer. Existem muitos outros disponíveis.

Devido ao nosso pouco contato com as práticas meditativas, inseri-las em nosso cotidiano pode ser um grande desafio. Nos primeiros dias você se questionará incessantemente se está valendo à pena, mas acredite, são apenas artimanhas da mente buscando conforto. Aguente firme e logo tudo começará a fazer sentido. Um forte abraço e boa prática!

A filosofia por trás da Amostra Grátis

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Sem sombra de dúvidas uma das estratégias de marketing mais utilizadas do mundo, as amostras (supostamente) grátis permeiam nosso dia a dia – muitas vezes em um disfarce quase perfeito. Entenda como afeta sua vida positiva e negativamente.

Imagine a seguinte situação: você está em um supermercado quando de repente se depara com uma pessoa servindo amostras de um determinado produto (iogurte, por exemplo). Algumas vezes é algo que você já conhece o sabor, mas pelo fato de ser “grátis”, decide usufruir. O que talvez você não saiba é que tudo se trata de uma grande estratégia de marketing e, estatisticamente, a probabilidade de você comprar este mesmo produto aumenta consideravelmente.

No livro O Poder da Persuasão o psicólogo Robert Cialdini descreve algumas estratégias de marketing usadas por grandes empresas para aumentar suas chances de vendas. Dentre elas, há um destaque importante para o chamado Princípio da Reciprocidade. Trata-se de uma característica natural do ser humano que sente-se (subconscientemente) compelido a retribuir qualquer favorecimento recebido – real ou aparente.

Robert relata um caso interessante observado em um aeroporto de Chicago. Nele, pessoas ligadas à Hare Krishna Society entregavam uma flor aos transeuntes mesmo sem sua solicitação, insistindo que ficassem com ela por se tratar de um presente. Logo em seguida pediam uma doação para obras da sociedade. A maioria das pessoas que recebiam a flor – mesmo contrariada – contribuia e seguia seu caminho.

Mas a melhor parte ainda está por vir. A flor era um presente não solicitado e inconveniente para aquela situação, então muitas eram jogadas nos lixos do próprio aeroporto. Neste momento, outros integrantes do grupo recolhiam discretamente as flores desprezadas e as traziam para serem presenteadas. Novos alvos eram então manipulados e o processo lucrativo se repetia inúmeras vezes.

Foi somente após tomar nota de tais procedimentos que me ocupei com a análise das amostras grátis de medicações recebidas por nós médicos no consultório diariamente. Uma boa parte delas nem chega a ser utilizada – alguns remédios são até esquecidos nos consultórios e usados erroneamente por leigos que as recolhem. Entretanto, após receber estes presentes (que geralmente não são solicitados), ficamos compelidos a prescrever as medicações daquela marca específica.

Confesso que estas medicações podem ser utilizadas para ajudar pessoas de menor poder aquisitivo. Contudo, assumi há alguns anos uma postura um tanto radical (talvez como forma de protesto) e parei de aceitar as amostras, entendendo que o critério que devemos utilizar para decidir entre uma marca e outra é o custo-benefício para o paciente e nada mais! Além disso, é função do Estado garantir a saúde dos menos favorecidos e não da indústria farmacêutica.

O Princípio da Reciprocidade também é utilizado de maneira empírica pelos bajuladores – vulgarmente conhecidos como puxa-saco. Eles distribuem presentes falsos como elogios e adulações, ganhando todo tipo de favorecimento em troca (incluindo cargos de nomeação política).

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Ok, até agora abordei apenas situações em essa estratégia de marketing é utilizada com intenções questionáveis. Entretanto, ela pode ser empregada de forma completamente ética e justa, mesmo nas vendas. Isto acontece quando você cede algo para alguém sem pressão, sem ludibriar ou quando é solicitado a fazê-lo.

Um exemplo prático é um blog ou um canal no YouTube. Se você é especialista em alguma área, pode ensinar algo útil a outras pessoas, cedendo informações gratuitamente. Como retribuição adivinhe quem os seus web espectadores irão procurar quando precisarem contratar alguém da área. Estamos na chamada Era do Conhecimento e se você quiser fazer parte dela, compartilhe o que sabe – os frutos serão colhidos mais cedo ou mais tarde.

Outro exemplo é quando alguém pede diretamente a você alguma dica sobre a sua área de atuação. Imagine o quanto eu, como ortopedista, sou solicitado. É óbvio que eu jamais faria uma consulta fora do consultório, porém dificilmente deixo uma pessoa sem ao menos 1 orientação – ao mesmo tempo demonstrando minha qualidade profissional e “dando-lhe” um presente que me foi solicitado. Quem você acha que esta pessoa irá procurar ou indicar?

A partir de agora proponho que reflita sempre que lhe oferecerem algo “de graça”. O custo pode estar escondido onde você jamais imaginaria. Ah, e se achou útil deixe seu like e contribua nos comentários. Um forte abraço!