[Meditação] 7 dicas para você começar hoje mesmo

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Há milênios as práticas meditativas são parte do cotidiano de muitas comunidades orientais, fazendo parte inclusive da rotina das crianças. Entretanto, somente em meados do século XX a meditação chegou de maneira mais expressiva neste lado do mundo. A mística, o preconceito e a ignorância acerca desta poderosa atividade traduzem sua “imaturidade” em nosso meio.

O objetivo deste artigo é esclarecer alguns pontos fundamentais, introduzindo conceitos para que você inicie hoje mesmo a prática meditativa e desfrute dos seus inúmeros benefícios.

A meditação que pratico me foi ensinada durante a minha convivência com o Zen Budismo e chama-se zazen (significa meditação sentada), cujos 3 pilares são: a concentração, a imobilidade e a postura adequada. Hoje vamos nos ater ao primeiro deles.

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Como você avaliaria a sua capacidade de concentrar-se em uma determinada atividade? E se eu disser que essa capacidade pode ser ampliada com um pequeno treino diário? Exatamente! A concentração é uma habilidade como outra qualquer e, portanto, pode ser aprimorada desde que você despenda um pouco do seu tempo e energia para tanto.

Mas por que alguém iria querer melhorar a concentração? Vamos lá, vou lhe dar alguns bons motivos:

  • Excelência no trabalho: quando você executa uma atividade em estado de atenção plena, novas sinapses cerebrais – as conexões entre neurônios – são formadas. Desta forma, o trabalho torna-se um treino de aprimoramento constante. Quando repetir o mesmo ofício, já o fará de forma mais eficiente… e esta melhora não tem limite! Já viu aqueles “japinhas” cortando legumes numa velocidade incrível? Pois é…
  • Melhora das compulsões: concentrar-se em algo também garante que você não ficará pensando naquela torta de aipim com doce leite na geladeira, fazendo um esforço sobre-humano para não levantar e pegar outro pedaço. E também funciona com qualquer outro tipo de compulsão como televisão, autoimagem, higiene, etc.
  • Menor incidência de erros: a atenção na atividade evitará que as coisas fujam do seu controle. Imagine o quão desagradável é fechar o caixa e perceber que tem dinheiro a menos com frequência. Ou “decolar” com seu carro ao passar por um quebra-molas que você não percebeu que existia…
  • Menos ansiedade e estresse emocional: estando absorto em uma única tarefa, os pensamentos divagantes e inoportuno não terão vez. Não esqueça que ansiedade é a tentativa – frustrada – de estar em 2 lugares ao mesmo tempo. Como? Você naquela reunião pensando em como resolverá o problema da máquina de lavar com defeito. Ou na academia lembrando daquele cliente chato do dia anterior.

Dos 3 pilares da meditação citados acima, a concentração é o único presente em TODAS as técnicas. Ela se dá através da atenção plena que deve ser necessariamente em foco único. Este foco pode ser a sua respiração, os movimentos do seu corpo, uma música ou até mesmo a sua imaginação – guiada por você mesmo ou por outra pessoa.

Sem perceber entramos em pequenos estados meditativos todos os dias. Basta que você mantenha sua concentração em algo por alguns segundos (pode ser uma leitura, um jogo de futebol ou a voz de alguém ao telefone). A grande questão é que estamos perdendo nossa capacidade de sustentar a atenção frente a tantos estímulos, sobretudo tecnológicos.

Segundo um estudo da Microsoft, o tempo médio de concentração em uma mesma atividade caiu de 12 segundos no ano de 2000 para 8 segundos em 2013. O que quer dizer que nossa concentração média está menor que a de um peixe dourado que consegue manter atenção por até 9 segundos!

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Os estados meditativos mais profundos – os que favorecem nossa vida em inúmeros aspectos – dependem da capacidade de concentração mantida. A boa notícia é que você pode aumentar gradativamente o seu tempo de atenção ininterrupto sem grandes esforços.

Vamos a algumas dicas práticas:

  1. Busque um local tranquilo. Pode ser em sua casa, entretanto, evite ruídos que possam atrair a sua atenção – se possível, repita o mesmo lugar todos os dias;
  2. Afaste-se do celular. Ou coloque-o no modo avião se precisar marcar tempo, de maneira que não interrompa;
  3. Use roupas leves. Evite elásticos apertados ou mesmo acessórios que dificultem a circulação;
  4. Sente-se confortavelmente. Apoie no encosto da cadeira mas evite deitar-se para não correr o risco de dormir;
  5. Inicie com pequenos treinos. Minha sugestão é que você comece com 5 minutos por dia. Aumente de 3 a 5 minutos por semana até estabilizar entre 20 e 30 minutos diários;
  6. Escolha algo para prestar atenção. Não esqueça que o foco deve ser ÚNICO. Pode ser a sua respiração (você pode contá-la), um mantra, a chama de uma vela, etc; e
  7. Mantenha o mesmo horário do dia. A sugestão é que seja a primeira ação do dia, logo após lavar o rosto e esvaziar a bexiga. Além de facilitar na disciplina, neste momento sua mente está mais quieta.

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Quando começar a praticar, você perceberá que o assédio dos pensamentos divagantes é constante. Isso é normal. Não se aborreça e nem se intimide. Sempre que identificar um pensamento qualquer, deixe-o ir e retome a concentração de onde parou. A melhora é quase imperceptível mas inevitável.

Se achar muito difícil, você pode iniciar com meditação guiada. Trata-se de uma técnica em que a sua imaginação é conduzida por comandos de voz de outra pessoa provocando um profundo estado de relaxamento. Sugiro este vídeo Dra Sofia Bauer. Existem muitos outros disponíveis.

Devido ao nosso pouco contato com as práticas meditativas, inseri-las em nosso cotidiano pode ser um grande desafio. Nos primeiros dias você se questionará incessantemente se está valendo à pena, mas acredite, são apenas artimanhas da mente buscando conforto. Aguente firme e logo tudo começará a fazer sentido. Um forte abraço e boa prática!

A filosofia por trás da Amostra Grátis

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Sem sombra de dúvidas uma das estratégias de marketing mais utilizadas do mundo, as amostras (supostamente) grátis permeiam nosso dia a dia – muitas vezes em um disfarce quase perfeito. Entenda como afeta sua vida positiva e negativamente.

Imagine a seguinte situação: você está em um supermercado quando de repente se depara com uma pessoa servindo amostras de um determinado produto (iogurte, por exemplo). Algumas vezes é algo que você já conhece o sabor, mas pelo fato de ser “grátis”, decide usufruir. O que talvez você não saiba é que tudo se trata de uma grande estratégia de marketing e, estatisticamente, a probabilidade de você comprar este mesmo produto aumenta consideravelmente.

No livro O Poder da Persuasão o psicólogo Robert Cialdini descreve algumas estratégias de marketing usadas por grandes empresas para aumentar suas chances de vendas. Dentre elas, há um destaque importante para o chamado Princípio da Reciprocidade. Trata-se de uma característica natural do ser humano que sente-se (subconscientemente) compelido a retribuir qualquer favorecimento recebido – real ou aparente.

Robert relata um caso interessante observado em um aeroporto de Chicago. Nele, pessoas ligadas à Hare Krishna Society entregavam uma flor aos transeuntes mesmo sem sua solicitação, insistindo que ficassem com ela por se tratar de um presente. Logo em seguida pediam uma doação para obras da sociedade. A maioria das pessoas que recebiam a flor – mesmo contrariada – contribuia e seguia seu caminho.

Mas a melhor parte ainda está por vir. A flor era um presente não solicitado e inconveniente para aquela situação, então muitas eram jogadas nos lixos do próprio aeroporto. Neste momento, outros integrantes do grupo recolhiam discretamente as flores desprezadas e as traziam para serem presenteadas. Novos alvos eram então manipulados e o processo lucrativo se repetia inúmeras vezes.

Foi somente após tomar nota de tais procedimentos que me ocupei com a análise das amostras grátis de medicações recebidas por nós médicos no consultório diariamente. Uma boa parte delas nem chega a ser utilizada – alguns remédios são até esquecidos nos consultórios e usados erroneamente por leigos que as recolhem. Entretanto, após receber estes presentes (que geralmente não são solicitados), ficamos compelidos a prescrever as medicações daquela marca específica.

Confesso que estas medicações podem ser utilizadas para ajudar pessoas de menor poder aquisitivo. Contudo, assumi há alguns anos uma postura um tanto radical (talvez como forma de protesto) e parei de aceitar as amostras, entendendo que o critério que devemos utilizar para decidir entre uma marca e outra é o custo-benefício para o paciente e nada mais! Além disso, é função do Estado garantir a saúde dos menos favorecidos e não da indústria farmacêutica.

O Princípio da Reciprocidade também é utilizado de maneira empírica pelos bajuladores – vulgarmente conhecidos como puxa-saco. Eles distribuem presentes falsos como elogios e adulações, ganhando todo tipo de favorecimento em troca (incluindo cargos de nomeação política).

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Ok, até agora abordei apenas situações em essa estratégia de marketing é utilizada com intenções questionáveis. Entretanto, ela pode ser empregada de forma completamente ética e justa, mesmo nas vendas. Isto acontece quando você cede algo para alguém sem pressão, sem ludibriar ou quando é solicitado a fazê-lo.

Um exemplo prático é um blog ou um canal no YouTube. Se você é especialista em alguma área, pode ensinar algo útil a outras pessoas, cedendo informações gratuitamente. Como retribuição adivinhe quem os seus web espectadores irão procurar quando precisarem contratar alguém da área. Estamos na chamada Era do Conhecimento e se você quiser fazer parte dela, compartilhe o que sabe – os frutos serão colhidos mais cedo ou mais tarde.

Outro exemplo é quando alguém pede diretamente a você alguma dica sobre a sua área de atuação. Imagine o quanto eu, como ortopedista, sou solicitado. É óbvio que eu jamais faria uma consulta fora do consultório, porém dificilmente deixo uma pessoa sem ao menos 1 orientação – ao mesmo tempo demonstrando minha qualidade profissional e “dando-lhe” um presente que me foi solicitado. Quem você acha que esta pessoa irá procurar ou indicar?

A partir de agora proponho que reflita sempre que lhe oferecerem algo “de graça”. O custo pode estar escondido onde você jamais imaginaria. Ah, e se achou útil deixe seu like e contribua nos comentários. Um forte abraço!

 

6 Passos Para Tirar Uma Ideia do Papel

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Você é do tipo que tem várias ideias, mas não consegue colocá-las em prática? Chega a começar inúmeros projetos e não os conclui? Na sua estante há muitos livros com o marcador na metade (ou mesmo no início)? Então vai gostar de ler as linhas a seguir. O objetivo deste artigo é oferecer um guia simples e prático para transformar ideias em realizações.

Ainda ontem após atender uma paciente querida, passamos a conversar um pouco sobre a vida. Ela relatou ser uma pessoa de muitas ideias, mas pouca atitude. Parei para analisar a questão e me dei conta de que essa é uma dificuldade muito comum (e não me excluo). Decidi conciliar conceitos de gestão empresarial, estratégias militares e minha própria experiência de vida. O resultado é a sequência de passos apresentada à frente. Estou convicto de que será útil para você como é para mim.

Vamos aos 6 passos:

  1. Exercite a criatividade: a criatividade é uma habilidade presente em TODAS AS PESSOAS e, como tal, é perfeitamente aprimorável. Para tanto, duas coisas são primordiais:
  • O hábito de criar – classicamente exercitado nos mais variados tipos de arte como dança, música, pintura, poesia, dentre outros. Entretanto, o bom empreendedor lança mão deste recurso diariamente na resolução dos problemas. Outra maneira de você inserir a criatividade no seu cotidiano é inventar formas diferentes de executar as tarefas que faz com frequência. Que tal variar os ingredientes do café da manhã? Talvez surja uma receita incrível. Ou talvez você invente um exercício mais eficaz para fortalecer a coluna lombar enquanto malha e fique livre das dores para sempre.
  • O frescor de uma mente saudável –  se sua mente trabalha como o motor de um carro em alta rotação, irá esquentar como tal. Uma mente sobrecarregada perde a capacidade de criar. Dê um pouco mais de atenção aos momentos recreativos. Tenha mais contato com a natureza. Evite drogas em geral. Se exercite. Busque práticas meditativas. Saiba mais sobre meditação aqui..
  1. Anote suas ideias: uma vez que você limpou sua mente, as ideias irão brotar livremente. O detalhe é que muitas delas somem na mesma velocidade em que surgem. Não as deixe escapar. Tenha sempre à mão algo em que possa escrever (quem hoje em dia larga o smartphone?). Uma boa dica é ter na cabeceira da cama papel e caneta. Todos nós temos naturalmente uma descarga de boas ideias imediatamente antes de dormir e ao acordar. Uma delas pode ser a grande sacada da sua vida!
  2. Defina sua meta: uma ideia com grande potencial dá origem a um projeto. Agora é preciso definir onde, com quem e, principalmente QUANDO ele será executado. Quanto mais específico for, melhor. Suponha que você pensou em realizar um evento beneficente. Será em um clube da sua rua? No colégio municipal? Quem vai integrar sua equipe? O evento será realizado no próximo fim de semana? Ou quem sabe no 1º domingo de todos os meses.

Ah, por enquanto segure sua euforia e guarde sua ideia para você, ok? Contar precocemente suas pretensões só irá gerar ansiedade, cobranças e o bom e velho “olho grande”.

Obs.: este é um dos passos mais importantes e mais ignorados. Veja bem, tomar atitude sem uma meta clara é como chutar a bola e só depois procurar o gol. Ainda que você se esforce muito, corra e chute com toda sua força, não conseguirá fazer um gol (ou se fizer, será por pura sorte e dificilmente repetirá).

(A ferramenta denominada Meta SMART é um método poderoso de elaboração de metas. Vale à pena pesquisar).

  1. Planeje para conquistar: agora que você estabeleceu sua meta e sabe exatamente aonde quer chegar, é hora de analisar a situação com frieza e senso crítico. Será que é mesmo viável? É possível? O que você vai ler agora é de extrema relevância!! Vai impedir que você desperdice muito tempo e energia (sem falar em dinheiro!!). Chegou a hora de fazer uma simulação de todo o seu projeto. Do que você precisa para ele se concretizar? O que você já tem em mãos? O que não tem e quanto irá custar para obter? Você já tem todo o conhecimento necessário sobre o assunto? Se não, como obter? Quais são as ameaças e as oportunidades que o momento oferece?

Digamos que você tenha a brilhante ideia de comprar um cavalo. Qual é o investimento inicial? Quanto irá custar por mês? Você tem onde deixá-lo? Quantas horas semanais de dedicação serão necessárias? Você tem esse tempo disponível? Você já estudou o suficiente sobre como lidar com o animal? Ele irá se adaptar bem ao clima de onde você mora? Etc.

Muitas pessoas preferem evitar o “balde de água fria” de constatar que sua ideia é inviável frente ao planejamento. A boa notícia é que geralmente a impossibilidade é temporária. Talvez você não possa executar seu projeto naquele momento. Reveja sua meta e ajuste os prazos. Tenha paciência e você irá colher os melhores frutos.

Imagine construir uma casa sem planta e só depois descobrir que um muro ficou no lugar errado. Apagar uma linha em um papel é bem menos trabalhoso que derrubar um muro inteiro, não acha? Pois bem, a filosofia é a mesma com suas ideias em prática! Portanto, ensaie o futuro: planeje!

(A ferramenta denominada Matriz FOFA é um método poderoso de planejamento. Vale à pena pesquisar).

  1. Execute com inteligência: finalmente chegou o momento de agir. Demorou, não foi? Mas é assim mesmo! É neste momento que você irá definir o que será feito, por quem, quando, onde, porque, como e quanto irá custar cada uma das tarefas. Por exemplo: digamos que sua meta é disponibilizar sua mercadoria para venda através do Instagram® a partir do dia 01/04/2018. Você já avaliou e constatou a viabilidade. Agora é a hora de determinar as ações necessárias para cumprir a meta no prazo. Uma delas pode ser “tirar as fotos das mercadorias na próxima quarta-feira (dia/mês/ano) no interior da loja”. Quem ficará responsável? Quanto custará?

(A ferramenta denominada 5W2H é um método poderoso de estabelecimento de planos de ação. Vale à pena pesquisar).

  1. Confira se as coisas estão acontecendo: este é um dos pontos mais cruciais. De nada adianta montar ações dignas de cinema se ninguém checa se foram realizadas (e no tempo predefinido). Sugiro reuniões semanais ou mensais para avaliar os resultados. Se o projeto for somente você, reserve uma hora só para isto (sagrada e inviolável). Digamos que a missão de José desta semana era pedir patrocínio nos estabelecimentos X, Y e W. Teremos então duas possibilidades:
  • Tarefa cumprida: ok. Parabéns, José! Passamos adiante. Novas ações são estabelecidas.
  • Tarefa não cumprida: o que impediu que a tarefa se realizasse? Há uma justificativa plausível? Se não, sugiro fortemente que apenas mais 1 chance seja dada para a tarefa ser realizada da mesma forma. Em caso de nova negativa deve-se obrigatoriamente mudar a forma de execução. Talvez dar a tarefa para outra pessoa, talvez ceder o carro da empresa em um horário específico.

Este guia básico de gerenciamento de projetos é uma forma simplificada da ferramenta japonesa de gestão denominada PDCA. Optei por uma visão mais sistêmica e, portanto, pouco aprofundada. Tomei como base principalmente livros como A Arte da Guerra do general Sun Tzu, O Verdadeiro Poder do professor Vicente Falconi – dentre outros, além da minha própria experiência.

Sugiro que você leia, releia e resuma. Então, gerencie alguns projetos tomando este guia como norte e, tão logo que sentir necessidade, se aprofunde em cada um dos tópicos. Faça as adaptações que achar necessário e não se esqueça de escrevê-las aqui nos comentários para me ajudar a crescer também. Até a próxima!

[Liderança] O valor da Honestidade

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Você conhece alguém meio honesto? Muitas pessoas acreditam que conseguem dimensionar as mentiras e ficar somente com as “pequenas”. Desde muito novos somos ensinados – com exemplos – que as “mentirinhas” não fazem mal. Será mesmo? Se você é um adepto das “mentiras brancas” ou conhece alguém que é, este artigo é para você! Saiba quais são os benefícios de uma vida absolutamente honesta.

Mas antes de tudo, a pergunta que me fiz há alguns anos: será possível ser 100% honesto? Vou deixar que você chegue às suas próprias conclusões.

Você sabe a diferença entre mentir e omitir? Em ambos os casos pode-se dizer que o sujeito falta com a verdade. Entretanto, há uma diferença ao mesmo tempo sutil e gritante. No primeiro caso, o da mentira, o indivíduo transmite como sendo verdadeira uma informação falsa ou vice-versa, ou seja, há uma AÇÃO presente. Já na omissão, o interlocutor deixa de transmitir (voluntariamente ou não) determinada informação, algo como uma NÃO AÇÃO.

Em muitos momentos da vida é conveniente (às vezes até necessário) omitir informações. Por exemplo, quando sua colega de trabalho chegar toda feliz usando uma roupa nova e perguntar o que você achou, não diga que ela ficou gorda – ainda que tenha achado isso! Esse tipo de gafe pode destruir relacionamentos de qualquer espécie. Aliás, isso não é sinceridade, é sincericídio! Se você se esforçar é provável que ache algo positivo na roupa para destacar, talvez a combinação de cores… com isto você preserva sua relação e sua honestidade!

Tomando como base o mesmo exemplo acima, muitas pessoas adotariam outro caminho. Elas mentiriam usando como justificativa: foi só uma “mentirinha” ou ainda “foi com boas intenções”. Pequena ou grande, qualquer mentira que você proferir torna você desonesto! Exatamente. Este não é um conceito relativo, isto é, ou você é honesto ou não é. Não existe meio termo. Isso afetará diretamente a construção do seu caráter. Acredite, a sua mente não consegue distinguir uma “mentirinha” de uma “mentirona”.

No livro A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais, o inesquecível Charles Darwin explica a seguinte cadeia de eventos: as emoções dão origem a energia e esta então é expressa através dos gestos, postura corporal, expressão facial, dentre outros. Por exemplo, a energia gerada quando sentimos alegria é expressa através do sorriso.

Quando mentimos inicia-se imediatamente um conflito em nossa mente. Da nossa boca sai uma informação, porém o nosso subconsciente sabe a verdade, gerando inevitavelmente uma perigosa emoção: a ansiedade (talvez pelo medo de sermos desmascarados). Expressamos esta emoção desviando o olhar, comprimindo os lábios, transpirando, mudando o tom de voz ou de várias outras formas (cada pessoa tem um “padrão” de auto-denúncia). Esse processo é mais bem observado em crianças que, ao mentir, levam a mão à boca na tentativa inconsciente de “calar-se” frente à falta com a verdade.

No mundo dos negócios o hábito de mentir terá um impacto invisível, porém devastador em seus resultados a médio e longo prazo. O ser humano evoluiu com a mentira e por isso tornou-se um mestre em sua detecção. Você irá se denunciar até mesmo de formas que nem imagina. Seja através de (micro)gestos, seja por indícios estranhos observados por seus clientes.

Em 28 de dezembro de 2017 a Apple® fez uma retratação pública em seu site (aqui) após ser “desmascarada”. Um consumidor publicou no fórum Reddit o resultado de testes de performance realizados com um dispositivo da marca atestando uma queda estranha – e inaceitável – no rendimento. Concluiu-se que as novas atualizações do sistema obrigavam o consumidor a ter sempre uma bateria nova no aparelho. Após maiores investigações e algumas ações na justiça, a Apple® pediu desculpas e reduziu o preço das baterias novas (como se isso fosse limpar a barra). Que vergonha! Steve Jobs deve ter tido uma cãimbra de nó no caixão.

Demora-se anos – e até décadas – para se construir uma reputação e apenas uma decisão errada para destruí-la. Se você for pego na mentira por seu cliente, dificilmente vai conseguir reconquistá-lo. Ah, e ludibriar também é mentir, ok? Pense no restaurante que serve um óleo vegetal qualquer fazendo-se passar por azeite extravirgem. Ou na propaganda de cigarros que exibe pessoas saudáveis no alto de uma montanha. E mesmo que ninguém perceba, o Universo perceberá e acredite, ele é implacável no retorno! 

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Para finalizar, gostaria de analisar uma frase dita pelo nosso excelentíssimo ex-presidente da república, mestre incontestável na arte de mentir Luiz Inácio Lula da Silva: “o problema da mentira são as mentiras que você tem que inventar para sustentar a primeira”. Quando você mente para seu marido ou sua mulher, precisa ficar em alerta constante, criando saídas estratégicas para qualquer tipo de pergunta que possa vir na sequência. A consequência desta vigilância é a ansiedade e o estresse emocional. Este verdadeiro inferno na terra é criado voluntariamente pelas pessoas que adotam a prática da mentira (seja ela branca, preta ou o arco-íris inteiro).

As mentiras farão um desserviço sem tamanho ao seu caráter. Se você é como a maioria das pessoas, detesta que mintam para você, por que então se permite mentir aqui e acolá? Um caráter bem estruturado guiará suas ações subconsciente (o que corresponde à maior parte das suas ações). Como todo hábito, leva-se tempo para reprogramar, mas com algum esforço logo você estará levando uma vida mais livre e despreocupada.

Sedentarismo: só caminhar já resolve!?

Tenho recebido no consultório um número cada vez maior de pacientes que praticam como única modalidade esportiva a caminhada. Muitos inclusive já a abandonaram devido a dores articulares provenientes dela mesma. É exatamente isso que você entendeu! O impacto existente ao caminhar, apesar de baixo, pode desencadear processos inflamatórios, principalmente em pacientes com doença prévia como a artrose.

Este artigo foi publicado na Revista Bacana, edição de dezembro. Aqui fiz algumas adaptações e discorri um pouco mais sobre este assunto que gera tanta confusão entre atletas e pessoas comuns que buscam preservar-se através da atividade física.

A caminhada é a segunda atividade física mais realizada pelos brasileiros (perdendo apenas para o futebol), porém não supre todas as necessidades do organismo. Acrescentar um treino de condicionamento musculoesquelético (força) e alongamentos é fundamental para prevenir lesões e retardar o envelhecimento.

Nossas articulações são como engrenagem de uma máquina e precisam funcionar com a máxima congruência (encaixe) e na presença do líquido sinovial (nossa lubrificação natural). Espera-se ao longo da vida que algum desgaste aconteça nestas “peças da engrenagem”. Entretanto, quando este desgaste acontece de forma acelerada, saímos de uma situação fisiológica (normal) e entramos em uma situação patológica (doença) denominada artrose.

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Em alguns casos identificamos a causa da artrose como trauma prévio, tumores, doenças auto-imunes, entre outros. Porém, em sua maioria não existe apenas 1 fator responsável pelo quadro e as suspeitas recaem sobre uma gama de fatores combinados. Dentre eles cabe citar a hereditariedade, o excesso de peso corpóreo, a postura incorreta, o gesto esportivo inadequado e o desequilíbrio / fraqueza muscular. Um bom tônus muscular além de estabilizar o movimento articular, reduz o impacto protegendo nossas juntas.

Me preocupa imensamente a maneira como as pessoas menosprezam a importância de um bom condicionamento muscular para a preservação da sua estrutura osteoarticular. Me deparo diariamente até mesmo com dançarinos e atletas que insistem em não preparar a musculatura para as cargas da atividade imposta.

Caminhar é uma excelente atividade física que, dentre vários outros benefícios, ajuda a controlar a pressão arterial, diminui os níveis de colesterol e glicose circulantes, melhora o sono, aumenta a autoestima e diminui a ansiedade. Exercícios de força leves a moderados reduzem o risco de fraturas pelo aumento da massa óssea (prevenindo a osteoporose), melhoram a coordenação motora e protegem as articulações em geral. Já os alongamentos previnem lesões como as tendinites e a fascite plantar (o famoso “esporão do calcâneo”).

Dentre as opções de treino de força temos mais comumente a musculação, o pilates, circuitos funcionais e, em especial para os idosos, a hidroginástica. Convém priorizar a fase excêntrica dos exercícios. Os alongamentos devem ser feitos preferencialmente após os treinos (se realizados no início convém ao menos aquecer a musculatura antes) ou em atividades como a yoga. Vale lembrar que de acordo com o Ministério da Saúde, para ser considerada ativa uma pessoa deve se exercitar no mínimo 150 minutos por semana divididos em treinos de 3 a 5 dias.

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Não é segredo para ninguém que atividade física regular é um dos pilares de um estilo de vida saudável. Contemplar a tríade de treinos: cardiovascular, musculoesquelético e alongamentos permitirá que você goze de uma vida plena e livre de lesões. Não esqueça de consultar um médico antes do início da prática esportiva.

Dica de ano novo. Vendas é 1 para 1!!

Hoje é o último dia do ano e com ele vêm as milhões de mensagens de felicitações e votos. É muito bom desejar prosperidade para as pessoas à nossa volta. Mas será mesmo que vale a pena enviar mensagens correntes para toda a sua lista de contatos? O que recebemos em troca? Vamos discutir brevemente sobre uma estratégia de marketing utilizada por empresas – e até mesmo por pessoas – com mensagens impessoais na tentativa de vender seus produtos, serviços ou a si mesmo: 1 para muitos.

Recentemente escrevi um post em que abordo conceitualmente a venda. Vale a pena conferir antes de seguir em frente.

Vivemos em uma era de mudanças rápidas em que as mensagens virtuais instantâneas substituíram a mala direta. Hoje é muito fácil chegar a toda sua lista de contatos com apenas alguns cliques. Muitas empresas e pessoas se fazem valer desta facilidade para enviar de uma só vez a mesma mensagem em larga escala. Esta estratégia de marketing antiga utilizada por multinacionais com marca consolidada como a Coca-Cola® é erroneamente copiada por pequenas empresas e por vendedores que acreditam que irão inspirar pessoas com suas mensagens impessoais.

Se você é como a maioria das pessoas, detesta receber spans em sua caixa de e-mail. Por que então insiste em enviá-los? Com o advento de aplicativos de mensagens instantâneas como o WhatsApp®, ficou ainda mais fácil enviá-las e ainda mais irritante recebê-las!

Para que uma venda se estabeleça é preciso existir uma relação de confiança entre as partes. Isso jamais acontecerá com mensagens impessoais. É como lançar uma cantada do tipo “oi, você vem sempre aqui?”. Seu cliente não é tolo! Ele sabe que você não está interessado em resolver um problema dele e sim seu mesmo. Um mestre em vendas INVESTIGA a vida do cliente prospectado e PERSONIFICA sua proposta.

E o que isso tudo tem a ver com as mensagens de fim de ano? Se sua vontade é realmente felicitar alguém, desejar algo bom e reforçar uma relação, deixe de preguiça! Se dê ao trabalho de digitar uma mensagem e, ao menos, escrever o nome do destinatário. Mostre que essa pessoa é alguém para você!

Recebi felicitações através de mensagens frias e até mesmo imagens e vídeos (que não baixei, é claro) de pessoas que eu nunca vi. Aliás, são 20:10 e eu acabei de receber uma mensagem que começava com “bom dia”. Sem comentários.

Guarde isso para sua vida: vendas é 1 para 1. Se você quer ser um grande vendedor algum dia (seja de produtos, serviços, ideias e até de si mesmo) ou ser uma pessoa largamente estimada pelos outros, não tenha preguiça, personifique suas propostas e sobretudo suas relações. Isso sim trará resultados!

Tome anti-inflamatórios mas, [acima de tudo], tome cuidado com eles!

Não faz muito tempo. Atendi um paciente na cidade de Eunápolis e sua história não saiu da minha mente. Como a ética não me permite revelar seu nome, vamos chamá-lo de Carlos. Ele tinha por volta de 50 anos e tinha como queixa principal a tão corriqueira “dor na coluna” que dificultava até mesmo sua caminhada. Porém seu Carlos trazia algo incomum: uma operação recente para reparo de uma úlcera no estômago que perfurou o órgão e permitiu que seu conteúdo se espalhasse pela cavidade abdominal. Este é um quadro dramático, no qual apenas uma cirurgia de urgência pode salvar a vida do paciente. Como sabemos que na idade de seu Carlos é raro haver 2 situações graves sem correlação uma com a outra então me pus a investigar. A constatação que se seguiu após colher as informações me chocaram. Como ele sentia dor nas costas quase que diariamente há 2 anos, fez a infeliz opção de se auto-medicar com anti-inflamatórios. O que o seu Carlos não sabia (e a maioria das pessoas desconhecem) é que os efeitos adversos desses medicamentos no estômago – e em vários outros órgãos – podem ser devastadores. Vamos juntos descobrir o que aconteceu e como evitar que casos como este se repitam.

Os anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são drogas relativamente antigas, com relatos do seu uso já no século XVIII, extraídos de plantas como a Salix alba vulgaris (casca do salgueiro). Desde então vêm sendo constantemente aprimorados a fim de oferecerem maior potência de ação e menores riscos à saúde. Entretanto, seu consumo indiscriminado torna-os drogas perigosas ao passo que a maioria delas pode ser comprada sem receita médica, sendo encarados como remédios “inofensivos”.

Observação: os corticoides, por agirem também sobre a inflamação, são tidos como anti-inflamatórios hormonais. Neste artigo me refiro apenas aos não hormonais.

Entre os pacientes que me procuram para uma consulta ortopédica é quase unânime o uso dessas medicações por conta própria. Alguns dos quais já relatam problemas como dores de estômago, diarreia, tontura e mal-estar. O efeito colateral mais comum dos anti-inflamatórios são alterações gastrointestinais como gastrite, úlcera, vômitos e perda do apetite. Fezes escurecidas podem ser sinal de sangramento gástrico, entretanto, pode-se encontrar sangue vivo ou oculto (imperceptível devido à sua pequena quantidade).

Na evolução de uma úlcera gástrica, pode haver a perfuração da parede do estômago com a consequente saída do seu conteúdo para a cavidade abdominal. Este foi o quadro do paciente Carlos, relatado no início do artigo. Outras alterações possíveis ligadas aos anti-inflamatórios são falência renal, sangramentos, anemia, reações alérgicas, entre outros.

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Atenção: com o avançar da idade, aumentam sensivelmente os riscos potenciais dos anti-inflamatórios. Por esse motivo, eu apenas os prescrevo raríssimas vezes para os meus pacientes idosos.

Além dos efeitos adversos, existe um problema de grande importância ligado ao uso de anti-inflamatórios. Apesar de termos uma visão negativa do processo inflamatório, este é fundamental para reestabelecer a integridade dos tecidos. Resolver a inflamação é, antes de tudo, função do próprio organismo com ou sem o uso de medicações. Quando essa resolução não acontece, via de regra temos 2 possibilidades:

  • Falhas no sistema imunológico (raro); ou
  • Persistência do fator causal (disparado o mais comum).

Explico. Suponha que você machucou seu braço enquanto se exercitava e este veio a inflamar. A dor proveniente da inflamação, apesar de incômoda, é útil para que você dê “repouso” ao membro lesionado, permitindo a sua cura. Porém você opta pelo uso de um anti-inflamatório por conta própria. Sua função analgésica irá suprimir o mecanismo natural de defesa do organismo (a dor). Qual a consequência? Ao terminar o efeito da medicação, provavelmente a inflamação estará mais intensa devido ao uso excessivo do membro que deveria permanecer em repouso até sua melhora. Esta sequência tende a perpetuar o processo inflamatório, cronificando-o e tornando cada vez mais difícil o tratamento.

Dentre os anti-inflamatórios mais utilizados destaca-se um dos mais perigosos: o diclofenaco. Este tem alto potencial de efeitos adversos gastrintestinais. É encontrado como única droga em medicações como Cataflam® e Biofenac® ou combinado a relaxante muscular e analgésico como Tandrilax®, Torsilax®, Mioflex-A® e Beserol®. Atenção especial a estas marcas citadas, pois nas campanhas de marketing oferecem resolução rápida de quadros inflamatório a baixo custo (só esquecem de alertar contra os riscos!).

Outros anti-inflatórios comuns são a nimesulida (Nisulid®, Scaflam®, Maxsulid®); o meloxican (Melocox®); o ibuprofeno (Alivium®); e o cetoprofeno (Profenid®).

Observação: alguns anti-inflamatórios mais recentes são considerados mais seguros do ponto de vista de efeitos adversos. Entretanto, costumam ser mais caros e sua compra só é permitida com receita médica. São eles o etoricoxibe (Arcoxia®) e o celecoxibe (Celebra®).

Não restam dúvidas que os anti-inflamatórios são parceiros dos médicos em diversos tipos de tratamento. Entretanto, seu uso deve ser racionalizado e um esforço educacional deve ser empregado por parte das autoridades responsáveis com medidas como a restrição da venda. Esta é uma questão delicada que envolve interesses da indústria farmacêutica que lucra às custas da exposição da população às drogas oferecidas e utilizadas indiscriminadamente. Portanto, tome anti-inflamatórios mas, acima de tudo, tome muito cuidado com eles!